segunda-feira, 14 de abril de 2014

Riscos Biológicos

Caros leitores, 

       Esta publicação é dedicada aos Riscos Biológicos, estando presentes por toda a parte, podendo ser muito benéficos para a vida como também prejudiciais. Como exemplo, a minha publicação "O Trabalho dos Coveiros" revela uma profissão que engloba a exposição dos trabalhadores aos agentes biológicos. Estes, são relevantes para muitas profissões e ocupações, e uma parcela considerável da população ativa corre o risco de exposição. Apesar disso, os trabalhadores e os empregadores tendem a saber pouco sobre o risco de exposição a agentes biológicos.
Fig.1 - Riscos Biológicos
Entende-se por agentes biológicos, microrganismos (bactérias, vírus, fungos), incluindo os geneticamente modificados, as culturas de células e os endoparasitas humanos e outros suscetíveis de provocar infeções, alergias ou intoxicações (Rodrigues et al. (2003)).1
O risco ocupacional associado aos agentes biológicos é conhecido desde a década de 1940 e pode atingir não só os profissionais de saúde, como outros profissionais e ainda todos os visitantes das unidades de saúde e familiares que coabitam no domicílio dos doentes (Maia, 2005).2
Quanto aos riscos biológicos, Jansen Ac. (1997) refere que estes dizem respeito ao contacto do trabalhador com microrganismos (principalmente vírus e bactérias) ou material infetado, os quais podem causar doenças como a tuberculose, hepatite, herpes, escabiose e SIDA. 3
Fig.2 - Enfermeiros expostos
a riscos biológicos
Segundo Maia (2005), dados aceites internacionalmente apontam que em consequência de “picada de agulha” os profissionais de saúde apresentam uma probabilidade de adquirir SIDA de 0,3%, a hepatite C de 2 a 7% e hepatite B de 2 a 40%, neste último caso em profissionais não vacinados e com a presença de AgHbe positivo no doente.Para Almagro (2006), o risco de infeção por transmissão cutânea com agulha oca contaminada por HIV é de 0,3%, diminuindo esse risco para 0,09% no caso das membranas mucosas.4
Segundo Otero (1997) hoje dispõe-se de medidas eficazes para prevenir doenças profissionais, mediante o recurso a barreiras físicas (luvas, agulhas e seringas descartáveis), químicas e biológicas (gamaglobulina hiperimune e vacinas).5
De acordo com a Diretiva2000/54/CE relativa à proteção dos trabalhadores contra riscos ligados à exposição a agentes biológicos durante o trabalho, estabelece disposições mínimas especiais nesta área. De acordo com esta diretiva relativa à avaliação do risco deve envolver:
  • a identificação de perigos, que consiste em identificar os agentes biológicos ou os produtos que possam estar presentes e os efeitos adversos que eles têm uma capacidade intrínseca de provocar;
  • uma dose (concentração) - resposta (efeito), que é a estimativa da relação entre o nível de exposição a uma substância e a incidência e gravidade de um efeito;
  • uma avaliação da exposição, que é a determinação das concentrações, vias de exposição, potencial de absorção , bem como a frequência e duração da exposição, a fim de calcular as doses a que os trabalhadores estão ou podem estar expostos;
  • e uma caracterização do risco, que é a estimativa da incidência e gravidade dos efeitos adversos que podem ocorrer em trabalhadores devido à exposição real ou prevista a uma substância.
s       Os agentes biológicos são classificados pela diretiva em quatro grupos de risco, conforme o nível de risco infecioso e as possibilidades de prevenção e tratamento:
Os acidentes de trabalho com material biológico podem ser causados por uma variedade de fatores, incluindo os relacionados com o próprio trabalhador, mas também com a instituição e as condições de trabalho. Entre elas podemos citar descuido, falta de atenção e prevenção, excesso de confiança, materiais inadequados e trabalho excessivo, cansaço, stress, entre outros (SARQUIS, 2007).6
Fig.3 -  Modelo de Diagrama de Causas e Efeitos de Acidente de Trabalho com Exposição ao Material Biológico 7
Um estudo realizado aos profissionais de Enfermagem do SAMU (Equipa de Equipamento Móvel de Urgência), uma grande parcela dos entrevistados (31%) relataram ter sofrido o risco ocupacional biológico, sendo este incidente explicado devido ao profissional estar em contacto constante com fluidos corporais, sangue e microrganismos. Nhamba (2004) confirma o resultado encontrado já que os profissionais de enfermagem no SAMU prestam atendimento a pacientes em estado crítico e que necessitam de procedimentos mais invasivos. Outro dado relevante é o risco físico mencionado por 25% dos entrevistados. Os profissionais do SAMU trabalham inúmeras vezes em locais que possuem condições inadequadas de iluminação, temperatura, ruído e radiações.8

Fig.4 - Riscos Ocupacionais sofridos dos enfermeiros do SAMU 8
Até à próxima Publicação!

Legislação:
- Diretiva 200/54/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de Setembro de 2000, relativa à proteção dos trabalhadores contra riscos ligados à exposição a agentes biológicos durante o trabalho (Sétima diretiva especial nos termos do nº 1 do artigo 16.o da Directiva89/391/CEE)
- Decreto-Lei nº 84/97, de 16 de Abril, alterado pela Lei nº 113/99, de 3 de Agosto. Estabelece as prescrições mínimas de proteção da segurança e saúde dos trabalhadores contra os riscos ligados à exposição a agentes biológicos, transpondo as Diretivas nº 90/679/CEE, 93/30/CE e 95/30/CE.
- Portaria nº 405/98, de 11 de Julho, alterada pela Portaria nº 1036/98, de 15 de Dezembro. Aprova a lista dos agentes biológicos classificados nos grupos de risco 2, 3 e 4.


Referências Bibliográficas:
1 - RODRIGUES, A. [et al] – Exposição a Agentes Biológicos. Rev. Divulgação Segurança e Saúde no Trabalho. Nº 12 (2003).
2 - MAIA, P. – Contributos para a caracterização da actividade profissional dos enfermeiros com vista à justificação da idade e tempo de serviço para aposentação. Rev. Ecos da Enfermagem. Ano XXXVI: nº 243/6 (2005).
3 - JANSEN, AC. (1997) - Um novo olhar para os acidentes de trabalho na enfermagem: a questão do ensino. [dissertação]. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP.
4 - ALMAGRO, P. C. (2006) - Doenças Profissionais: A Formação na Prevenção Das lesões Músculo-Esqueléticas, Lisboa: Universidade Aberta, tese de Mestrado Comunicação em Saúde.
5 - OTERO, J.J.G. – Riesgos Biológicos. In BENAVIDES, F.G.; FRUTOS, C.C.; GÁRCIA, A.M. – SALUD LABORAL: conceptos y técnicas para la prevención de riesgos laborales. Barcelona: Masson, 1997.
6 - SARQUIS, L. M. M. O Monitoramento do trabalhador da saúde após a exposição biológica. São Paulo. 190f. Tese (Doutorado) – Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Dia Mundial da Saúde

Olá Caros Leitores,

Para os mais distraídos, venho informar-vos que hoje comemora-se o Dia Mundial de Saúde e este ano o tema central são as DoençasTransmitidas por Vetores. Como futura Técnica de Saúde Ambiental não posso ficar indiferente a esta temática.
Fig. 1 - Imagem informativa do Dia Mundial de Saúde
Os vetores são, sobretudo, artrópodes que transmitem a infeção através de picada quando eles próprios são portadores de agentes patogénicos, como vírus e parasitas. Os mais comuns são os mosquitos (de várias espécies), mosca da areia (flebótomos) e carraças (ixodídeos). Apenas uma picada pode transmitir doenças tais como malária, dengue, chikungunya, febre do Nilo Ocidental, leishmaniose, doença de Lyme, febre-amarela, encefalite japonesa, entre outras.
Na Região da América, as doenças transmitidas por vetores com maior importância epidemiológica são a malária, dengue, doença de Chagas, leishmaniases, filariases linfáticas, esquistossomose e tracoma. As doenças de transmissão vetorial são responsáveis por uma alta carga de morbilidade e mortalidade especialmente nos países mais pobres, causando ausência escolar, aumento da pobreza, diminuição na produtividade económica e sistemas de saúde sobrecarregados com procedimentos de alto custo.
Fig.2 - Caricatura de Mosquito

A possibilidade de (re)introdução de algumas destas doenças na Europa tornou-se evidente  com o recente surto de dengue que ocorreu em finais de 2012 na Ilha da Madeira, que obrigou a uma resposta integrada das autoridades de saúde daquela Região. As doenças transmitidas por vetores podem ser graves, levando muitas vezes à morte. Ao todo, foram infetadas 2168 pessoas pelas picadas do Aedes aegyptie, um dos mosquitos que pode transmitir a doença, que terá sido introduzido na ilha em 2004. Os especialistas não põem de lado o cenário da chegada do mosquito a Portugal continental.
 
O número de infetados pela febre de dengue é cerca de três vezes superior às estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), atingindo os 390 milhões de pessoas por ano, avança um estudo publicado na revista Nature.
A OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmam que «do ponto de vista de Saúde Pública», a prevenção é menos dispendiosa «quer para os trabalhadores, quer para a sociedade no seu conjunto».
Por isso, "Mais vale prevenir que Remediar!"

No estágio anterior, fiz várias publicações sobre esta temática, como por exemplo: “Culicídeos(Mosquitos)” e “Programa REVIVE” podem dar uma “espreitadela” para ficarem mais esclarecidos sobre esta temática.

Até à próxima publicação!

Panfletos informativos:

Referências Bibliográficas:
1 - Direção Geral de Saúde – Dia Mundial da Saúde

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Avaliação de Riscos


Caros leitores,

     Visto estar a estagiar numa empresa prestadora de serviços, a CentralMed, presta serviços de Avaliação de Riscos, assegurando um serviço personalizado, altamente especializado e direcionado para as necessidades dos seus clientes, aconselhando-os em soluções mais eficazes para reduzir o risco de acidentes de trabalho e doenças profissionais. Na Avaliação de Riscos constam:
·         Identificação dos riscos – das tarefas por posto de trabalho
·         Análise dos riscos – das tarefas por posto de trabalho
·         Quantificação dos riscos – das tarefas por posto de trabalho
·         Qualificação dos riscos – das tarefas por posto de trabalho
·         Entrega do relatório da avaliação de risco
·         Acompanhamento e revisão.1

A empresa aplica o Método do Marat na avaliação de riscos, o qual vou abordar um pouco ao longo desta publicação. Esta ferramenta é uma mais-valia para as empresas uma vez que permite que o empregador, depois de efetuada a AR, reúna condições adequadas ao bom desenvolvimento da atividade profissional, gerindo o risco, adotando as medidas corretivas e/ou preventivas apropriadas.

De forma a garantir a segurança contínua de todos os trabalhadores é necessário que seja efetuado o levantamento de perigos e a avaliação dos riscos periodicamente, controlando os riscos que não são eliminados e analisando novas situações que podem surgir das novas práticas e/ou alterações introduzidas na empresa. Devido à sua importância, e sendo esta uma prática chave para a prevenção de acidentes numa organização, também esta deve ser uma medida que a empresa deve adotar imperativamente.



A importância atribuída à Segurança e Saúde no Trabalho (SST) (Diretiva 89/391/CEE do Conselho, de 12/06, e Lei nº3/2014, de 28 de Janeiro) vem destacar o papel crucial que a Avaliação de Riscos assume em todo o processo, conferindo-lhe mesmo um lugar central nas abordagens preventivas. Na verdade, a preocupação de integrar a Avaliação de Risco na prevenção é referida no artigo 4º da Convenção nº155 da OIT, de 22 de Junho de 1981 (OIT, 1981),2 onde se impõe aos Estados membros que integram a implementação de uma política nacional que seja coerente, em matéria de SST e do Ambiente de trabalho, e que tenha por objetivo a prevenção dos acidentes de trabalho e dos perigos para a saúde dos trabalhadores, através da maior redução possível das causas de riscos.
A Avaliação de Riscos (AR) é o processo em que se identifica os perigos (situações que podem originar danos à saúde), avalia-se a probabilidade de ocorrência de um acidente, devido a esse perigo, e avaliam-se as suas possíveis consequências e, com base nos níveis de risco (o risco é a conjugação da probabilidade de ocorrência do acidente e a avaliação as suas consequências expectáveis), propõem-se medidas que permitam minimizar e/ou controlar os riscos avaliados como não aceitáveis (Cabral, 2010).3
Uma avaliação de riscos adequada inclui, entre outros aspetos, a garantia de que todos os riscos relevantes são tidos em consideração (não apenas os mais imediatos ou óbvios), a verificação da eficácia das medidas de segurança adotadas, o registo dos resultados da avaliação e a revisão da avaliação a intervalos regulares, para que esta se mantenha atualizada (Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, 2013).4
Com a AR são identificados os principais riscos a que o trabalhador está exposto, podendo-se quantificar/valorar esses riscos de modo a poder-se intervir por ordem de prioridade, ou seja, do mais para o menos grave.

Fig. 1 - Processo de avaliação de riscos e todas as fases que o compõem.
O método de Marat proporciona uma estimativa sobre a magnitude de um determinado risco, resultado da razão do nível de consequência e o nível de probabilidade obtido da razão entre o nível de deficiência e do nível de exposição. O processo de valoração tem, desta forma, uma relação estreita com a necessidade de estabelecer prioridades de decisão em função dos riscos encontrados. Assim sendo, no desenvolvimento do método não se aplicam valores absolutos mas antes intervalos discretos pelo que se utiliza o conceito de nível. 
O presente método pode ser representado pelo seguinte esquema:


·      Nível de Deficiência (ND): Magnitude esperada entre o conjunto de fatores de risco considerados e a sua relação causal direta com o acidente;
·  Nível de Exposição (NE): Medida que traduz a frequência com que se está exposto ao risco. Para um risco concreto, o nível de exposição pode ser estimado em função dos tempos de permanência nas áreas de trabalho, operações com máquina, procedimentos, ambientes de trabalho, entre outros;
· Nível de Probabilidade (NP): É determinado em função das medidas preventivas existentes e do nível de exposição ao risco. Pode ser expresso num produto de ambos os termos;
·  Nível de Severidade (NS):  Refere-se ao dano mais grave que é razoável esperar de um incidente evolvendo o perigo avaliado;
·   Nível de Risco (NR): Será o resultado do produto de nível de probabilidade pelo nível das consequências: NR=NPxNS;
·  Nível de Controlo (NC): Pretende dar uma orientação para implementar programas de eliminação ou redução de riscos atendendo à avaliação do custo – eficácia.
Tabela 1 - Nível de Risco (NR)
   Uma análise desta tabela leva às seguintes conclusões:
  A escala apresentada é do tipo irregular, estando definida apenas uma ponderação genérica não quantitativa. A justificação dos valores é essencialmente subjetiva. A escala proposta restringe-se a casos pontuais (embora, eventualmente, maioritários em termos de ocorrência). Não se aplica a situações catastróficas, como por exemplo, a fuga de um gás tóxico que afete uma região densamente habitada, onde não pode ser colocado ao mesmo nível um caso fatal ou dezenas de mortes. Não se aplica, ainda, a casos cuja consequência (direta) mais grave que pode ser assumida nunca é a morte, como sucede com o risco de ruído ambiental.

 Deixo-vos um link para compreenderem melhor o Método do Marat, demostrando o seu cálculo e a forma como aplicá-lo: http://pt.scribd.com/doc/125268742/AR-0-METODO-MARAT-pdf

Espero que tenham gostado. Até à próxima publicação!

Referências Bibliográficas:
2 – Organização Internacional do Trabalho. Convenção nº155 de 22 de Julho de 1981 da OIT, sobre s Segurança, a Saúde dos Trabalhadores e o Ambiente de Trabalho. Genebra.
3 - Cabral, F. (2010). Manual de Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho. Lisboa: VERLAG DASHOFER – EDIÇÕES PROFISSIONAIS.



quarta-feira, 26 de março de 2014

Técnicos de Higiene e Segurança no Trabalho

    Caros leitores,

    Devido à Saúde Ambiental englobar diversas áreas, sendo uma delas a Saúde Ocupacional, à qual encontro-me atualmente a exercer em estágio, achei necessário voltar a referir esta temática. Para não causar confusão, no final da Licenciatura em Saúde Ambiental receberemos o Certificado de Aptidão profissional de Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho, emitido pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) podendo desenvolver atividades nesta área. 
    Serviços de Saúde Ocupacional (SST) estão disponíveis apenas para 10-15% de 3 biliões de trabalhadores em todo o mundo, nos países industrializados. Na Europa, somente 45% da população economicamente ativa está coberta por serviços de saúde ocupacional e, cerca de mais de 30%, recebe algum tipo de cuidados de saúde ocupacional prestado por serviços ligados aos cuidados primários (WHO, 1993).1
A transferência de tecnologia, mudanças climáticas, as crises alimentares e a crescente migração rural-urbana vieram agravar a saúde, segurança e riscos sociais dos trabalhadores. Esta situação requer o desenvolvimento de novas políticas para saúde, segurança e proteção social, em particular de dois biliões de trabalhadores de países em desenvolvimento.
Como futura Técnica de Higiene e Segurança no Trabalho, deparo-me com mudanças dramáticas dos locais de trabalho, devido à globalização de atividades económicas, o aumento da utilização de informação e comunicação de tecnologia, os movimentos migratórios de trabalho, o envelhecimento da população ativa, maior segmentos educados da força de trabalho, contratos de trabalho flexíveis, e muito, muito mais.
Os princípios estratégicos de uma política de saúde ocupacional são definidos do seguinte modo: eliminar os fatores de risco e usar tecnologia segura; otimizar as condições de trabalho; integrar as atividades de saúde e segurança na produção; responsabilidade, autoridade e competência dos governos no desenvolvimento e controlo das condições de trabalho; responsabilização do patrão e do empregador pela saúde e segurança do local de trabalho; reconhecimento dos interesses próprios dos trabalhadores em matéria de SO; direito a participar nas decisões referentes ao seu próprio trabalho; cooperação e colaboração em bases iguais entre empregadores e trabalhadores e contínuo acompanhamento do desenvolvimento da Saúde Ocupacional. (WHO, 1995).2
Fig.2 - Esquema geral básico de Saúde Ocupacional
de atividades de serviço (Ciclo BOHS
2
Tendo por base as orientações internacionais, no início da década de noventa, nas sociedades economicamente mais avançadas a definição da política de saúde ocupacional assenta em 5 princípios essenciais com um grau menor ou maior de desenvolvimento (Rantanen, 1990)3:
• Princípio da prevenção e proteção contra fatores de risco profissionais;
• Princípio de adaptação do trabalho e do ambiente de trabalho aos trabalhadores;
• Princípio da promoção da saúde e do bem-estar físico, mental e social;
• Princípio da cura e da reabilitação minimizando as consequências dos fatores de risco profissionais; Desenvolvimento da Saúde Ocupacional em Portugal e a prática profissional dos médicos do trabalho;
• Princípio geral dos cuidados primários de saúde promovendo cuidados de saúde gerais aos trabalhadores e  das suas famílias.

Um serviço de Saúde Ocupacional bem desenvolvido inclui as seguintes funções: vigilância do ambiente de trabalho; iniciativas e aconselhamento para o controlo dos fatores de risco; Desenvolvimento da Saúde Ocupacional em Portugal e a prática profissional dos médicos do trabalho; vigilância da saúde dos trabalhadores; acompanhamento da saúde dos grupos vulneráveis; adaptação do trabalho e do ambiente ao trabalhador; organização de primeiros socorros; promoção da saúde; registo da informação sobre a saúde dos trabalhadores e prestação de cuidados clínicos em caso de doenças profissionais e de cuidados gerais de saúde (Rantanen, 1990).3
A complexa estrutura organizativa resultante da lei (Figura 2) afasta-se das orientações internacionais da OIT e da OMS que apontam para serviços de cuidados de saúde ocupacional globais, integrados, multi-profissionais e participados. Não é feita qualquer referência à Convenção n.º 161 e à Recomendação n.º 171 da OIT (1985), sobre Serviços de Saúde Ocupacional que claramente vêm inovar a organização dos serviços de medicina do trabalho, substituindo a Recomendação n.º 112 da OIT de 1959 (OIT, 1985 Decreto Lei n.º 441, 1991; WHO, 1995, 1999).2,3,4,5
Fig. 3 - Modalidades de Serviços de SHST/Saúde Ocupacional 6
A exigência da regulamentação desta lei-quadro ficou desde logo estabelecida para os domínios da organização dos serviços de SHST, da formação, capacitação e qualificação dos profissionais de Saúde Ocupacional, do processo de eleição dos representantes dos trabalhadores e da definição de formas de aplicação à função pública (Decreto Lei n.º 441, 1991).7
A Lei n.º 42/2012, de 28 de Agosto 8, define Técnico Superior de Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho como o profissional que organiza, desenvolve, coordena e controla as atividades de prevenção de proteção contra riscos profissionais.
Contudo, verifica-se que a Saúde Ambiental é uma área com oportunidades por explorar sendo assumida a falta de recursos humanos qualificados na Autoridade para as Condições de Trabalho, para o desenvolvimento no âmbito da promoção de condições de segurança e higiene no trabalho. Uma vez que surge constantemente legislação aplicável a esta temática, transpondo para o campo jurídico a evolução técnica e científica, exigindo cada vez mais a intervenção da Técnicos, de modo a prevenir a ocorrência de doenças profissionais e acidentes de trabalho, contribuindo para esse objetivo o fornecimento de informação e formação a trabalhadores e a empregadores sobre boas práticas, bem como, sobre os seus direitos e deveres.
Podemos então afirmar que a razão principal da existência de Técnicos de HST é o direito fundamental e inalienável do trabalhador, enquanto ser humano, a prestar trabalho em condições que salvaguardem a sua segurança e saúde.


Referências Bibliográficas:
1- WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION – The health policy for Europe: update edition 1991.Copenhagen: Regional Office for Europe/WHO, 1993.
2- WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION - Global strategy on occupational health for all: the way to health at work. Geneva: WHO, 1995.
3- RANTANEN, J., ed. lit. - Occupational health services an overview. Copenhagen: WHO Regional Publications, 1990. (European series; 26)
4- WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION – Fourth network meeting of the WHO collaborating centres in occupational health. Espoo, Finland: WHO, 1999.
5- OIT. ORGANIZATION INTERNATIONALE DU TRAVAIL – Convention n.º 161 sur les services de santé au travail. Genève: OIT, 1985.
6 - Modalidades de Serviços de SHST/Saúde Ocupacional
7-  REPÚBLICA, Diário. Decreto-Lei n.º 441/91 de 14 de Novembro
8- REPÚBLICA, Diário. Lei n.º 42/2012 de 28 de Agosto
9-IDICT (1997). Serviços de Prevenção das Empresas: Livro Verde. 2ª Edição. Lisboa: IDICT– Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Risco

Caros leitores,

A Saúde Ocupacional é a “chave” de informação de todas as minhas publicações. Já falei um pouco desta área bastante extensa de Saúde Ambiental em: “Lookcloser para a Higiene e Segurança no trabalho” e “Saúde Ocupacional em todo o mundo”. Torna-se crucial realçar o significado de Risco, uma palavra bastante utilizada e importante nesta área que incorpora a teoria da multicausalidade, na qual um conjunto de fatores de risco é considerado na produção da doença, avaliada através da clínica médica e de indicadores ambientais e biológicos de exposição e efeito.
Tendo em conta os pressupostos anteriores, a intervenção dos serviços de SHST têm crescente importância no estabelecimento e manutenção de gestão de riscos eficazes nas empresas. Estes serviços têm-se visto na necessidade de atualizar os seus métodos devido às mudanças ocorridas, nomeadamente ao aparecimento de novas necessidades no panorama dos riscos laborais.
As mudanças no contexto de trabalho atual vieram modificar as necessidades de investigação no domínio de SHST. Na União Europeia foram definidas, por consenso de necessidades dos Estados Membros, como prioridades gerais de investigação no domínio de SHST: fatores de risco psicossociais, fatores de risco químico, substituição de substâncias perigosas, gestão de riscos em PME, avaliação de riscos, entre outras. (Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, 2000). 1
Acresce aos desafios criados pelas mudanças constantes, a necessidade de identificação de diferentes tipos de riscos, em diferentes contextos. Esta variabilidade leva a que os Técnicos de SST tenham de utilizar diversos recursos para a correta avaliação dos riscos a que estão expostos os trabalhadores para o seu consequente controlo.
É neste contexto que se explica a pertinência do significado de “Risco”. O conceito comum em todas as definições é a incerteza dos resultados. Diferem é em como caracterizar os resultados. Alguns descrevem o risco tendo apenas consequências adversas, enquanto outros têm ideias semelhantes.

Fig. 1 - Gestão de Risco.
Para Conway (1982), “risco é definido como a medida da probabilidade e da severidade de efeitos adversos” 2; Inhaber (1982) define-o como “a probabilidade de ocorrer acidentes e doenças, resultando em ferimentos ou mortes”. 3 O risco é inevitável e está presente em cada situação humana, seja no quotidiano, a nível público ou em organizações do setor privado.
A frase " a expressão da probabilidade de ocorrência e impacto de um evento" implica que, como um mínimo, alguma forma de análise quantitativa ou qualitativa é necessário para a tomada de decisões sobre os principais riscos e ameaças para a realização dos objetivos de uma organização. Para cada risco são necessários dois cálculos: a probabilidade ou/e a extensão do impacto ou consequências.
Risco não é sinónimo de perigo. No nosso dia-a-dia estamos sempre expostos a riscos de acidentes. Descer uma escada, por exemplo, representa um risco real de acidente. Até em casa ao acender o fogão a gás, há possibilidade de um incêndio.
O quadro seguinte mostra a classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com a sua natureza. Os riscos ocupacionais têm origem nas atividades insalubres e perigosas, aquelas cuja natureza, condições ou métodos de trabalho, bem como os mecanismos de controlo sobre os agentes biológicos, químicos, físicos e mecânicos do ambiente de trabalho podem provocar efeitos adversos à saúde dos profissionais.
Tabela 1- Classificação dos principais riscos ocupacionais.
Na impossibilidade de eliminar o risco, o melhor a fazer é tentar estabelecer uma comparação entre o risco e os benefícios: reduzir o risco. Os profissionais que atuam na prevenção têm tentado, com algum sucesso, reduzir o risco, diminuindo a probabilidade de contrair doenças e prevenindo acidentes.
Finalmente, é importante referir que a maneira como os seres humanos reagem ao risco é influenciada também pelos fatores psicológicos. Os trabalhadores de profissões perigosas quase sempre falham em tomar precauções. Estão tão acostumados ao perigo que passam a ignorá-lo. Mesmo se tomarmos precauções, estas nem sempre são tão benéficas como pensamos. Uma teoria conhecida como hipótese da compensação do risco afirma que as precauções com a segurança podem levar ao aumento da exposição ao risco (Stewart, 1990). 5
Para terminar deixo-vos um filme do Napo em atividade de risco: 6



Até à próxima publicação!

 Referências Bibliográficas:
2-   CONWAY, R. A. Introduction to environmental risk analysis. Environmental Risk Analysis for Chemicals. New York: van Nostand Reinhold Company, 1982.
3-   CHELSEA, Michigan: Lewis Publishers, Inc., 1986. INHABER, H. Energy Risk+Assessment. New York: Gordon and Breach Science Publishers, Inc., 1982.
4 - Tabela: Classificação dos principais riscos ocupacionais.
5-   STEWART, I. Risk business. New Scientist (UK), 33, May 1990.