domingo, 16 de março de 2014

O Trabalho dos Coveiros

“É justo zelar pela
incolumidade dos coveiros, cujo ofício é tão necessário, porque
sepultam na terra os corpos dos mortos, junto com os erros dos
médicos, devendo, pois, a arte médica compensá-los com algum
benefício por sua própria dignidade ameaçada”. (Ramazzini, 2000)1

Caros leitores,

Hoje vou-vos confessar uma experiência um pouco diferente e macabra no decorrer desta semana de estágio. O local da vistoria não é algo muito agradável, mas à semelhança de outros estabelecimentos, existem trabalhadores que estão expostos a riscos inerentes à atividade que exercem. Como refere Ramazzini1 na frase em cima descrita, já devem ter percebido que a vistoria foi realizada a um cemitério.
Foi solicitada a integração da avaliação de riscos para a segurança e saúde do trabalhador no conjunto das actividades do serviço, devendo adoptar as medidas adequadas de protecção (art. 15º nº 2 alínea b) da Lei n.º 102/2009, de 10 de Setembro)2, nomeadamente do coveiro e supervisão. A falta de formação por parte dos trabalhadores dos cemitérios é notória e deve ter tida em consideração. O trabalhador deve receber uma formação adequada no domínio da segurança e saúde no trabalho tendo em atenção o posto de trabalho e o exercício de actividades de risco elevado (Lei nº102/2009, de 10 de Setembro). 2
Fig.1 - Trabalho de um coveiro 3
A palavra cemitério é originada do termo grego kouméterion, que designava o lugar onde se dormia, dormitório. Mas, com a influência do cristianismo, tomou o sentido de campo de descanso pós-morte, campo santo ou necrópole. Vários povos antigos tinham costumes para tratar ou enterrar os seus mortos (AQUINO; CRUZ, 2010).4
Durante muito tempo, os cemitérios foram considerados apenas como locais de sepultura de corpos humanos, não representavam qualquer perigo à saúde pública e ao ambiente. Segundo Santos (2007) 5, os cemitérios podem se assemelhar a um aterro sanitário, visto que em ambos são enterrados matérias orgânicas e inorgânicas, com um agravante para os cemitérios, pois a matéria orgânica ali enterrada tem a possibilidade de carregar consigo bactérias que foram, provavelmente, a causa da morte do indivíduo, podendo colocarem risco o meio ambiente e a saúde pública.
Os corpos humanos após a morte entram em decomposição e liberam substâncias tóxicas ao meio ambiente, na destruição dos corpos existe uma sequência natural de processos: mudança de coloração, gaseificação, coliquação e esqueletização (SILVA et al., 2008).6 No período coliquativo ou também conhecido como período  humoroso, é liberado o necrochorume, trata-se de uma solução aquosa, rica em sais minerais e substâncias orgânicas desagradáveis de cor castanho acinzentada, viscosa, polimerzável, de cheiro forte, e grau variado de patogenicidade (ALMEIDA; MACEDO, 2005).6 O necrochorume é constituído de 60% de água, 30% de minerais e 10% de substâncias orgânicas, duas delas altamente tóxicas, como, a putrescina e a cadaverina (ALMEIDA; MACEDO, 2005, SÓRIA; RAMIREZ, 2004). 7
Um cadáver de 70kg em média libera 30L de necrochorume de forma intermitente durante o período de 5 a 8 meses após a sepultura (MELO et al., 2010).O mesmo além de contaminar o lençol freático, comprometendo a qualidade das águas subterrâneas, através do consumo das mesmas, a população corre um grande risco de contrair doenças (PIRES; GARCIA, 2008)8, assim como o coveiro que está exposto constantemente a certos riscos biológicos, tais como:

Local
Cemitério
Tarefa
Abrir e fechar sepulturas e efectuar o transporte; depósito e levantamento de restos mortais; Limpeza de covas e jazigos; realização de sepulturas e exumações; lavagem da ossada aquando da exumação.
Natureza
Espécie do Agente
(Portaria n.º 1036/98)
Classificação do Agente
(Portaria n.º 1036/98)
Nº de Trabalhadores Expostos
Exposição
Bactérias e afins
Clostridium perfringens
2

Frequente
Salmonela typhi
3

Frequente
Salmonela paratyphi
2

Frequente
Shingella
2

Frequente
-----
-----

Esporádica
Vírus
Vírus Dengue tipo 1 a 4
3

Esporádica
Febre Amarela
3

Pouco Frequente
Parvovírus humano (B19)
2

Pouco Frequente
Hepatite B
3

Pouco Frequente
Hepatite C
3

Pouco Frequente
Outros vírus
2; 3 e 4

Esporádica
Exposição: Continuada/Rotina /Frequente/ Ocasional /Pouco Frequente/Esporádica

Apesar de em Portugal muitos destas doenças não se aplicarem, ainda assim são passíveis de ocorrer. Além das doenças transmitidas pela água, existem uma grande probabilidade de proliferação do mosquito Aedes Aegypti, que transmite o vírus de dengue e febre amarela, pela conservação de água nos vasos, além de outros animais, como escorpiões e baratas (PIRES; GARCIA, 2008).7 Outro aspecto possível, que deveria fazer parte da gestão ambiental dos cemitérios, é o cuidado com os resíduos sólidos, como os restos de roupas dos cadáveres, as próteses e o pacemaker, que deveriam ser separados do lixo comum e serem destinados para a colheita seletiva como resíduos perigosos. 
Durante o processo de sepultura o coveiro costuma usar cal virgem (óxido de cálcio anidro), que é uma substância oxidante que maximiza a decomposição devido à sua acidez e minimiza o vazamento de necrochorume para o solo, pois absorve o líquido cadavérico evitando a contaminação da terra e diminuindo a humidade excessiva do solo.
Após a priorização dos problemas que fui registando, cheguei ao foco da diagnose, incide nos problemas posturais, envolvendo os constrangimentos ergonómicos no ato de cavar as covas e descer o caixão.
Por se tratar de um trabalho em ambiente aberto, num clima de temperatura e humidade elevadas, com alta incidência solar, a proteção individual a esses agentes agressores constitui outro aspecto importante a ter em atenção na avaliação dos riscos.
Quanto ao uso de ferramentas, nomeadamente pás, estudos apresentados no artigo “The Lumbar Spine Load During Digging nad Shovelling with a Magnun Twingirp Handle Respectively na Ordinary Handle” (OBERG)9, demonstram que com uma adaptação em certas ferramentas de trabalho é possível reduzir cargas e implicações ao sistemas músculo-esquelético.
A figura em baixo, demonstra uma simulação do uso de uma pá com uma manivela para aliviar a carga sobre a coluna vertebral.
Fig.2: - Constrangimentos posturais na espinha
- Alívio para execução da tarefa, através do uso de uma manivela no centro do cabo da ferramenta
O estudo concluiu que devido à possibilidade de um trabalho com postura ereta com a nova ferramenta (ou implementação da mesma) há uma redução das forças dos músculos e uma diminuição da compressão dos discos intervertebrais em 50% em comparação ao quadro que se apresentava no uso da ferramenta sem a adaptação.  Isto demonstra que, com o desenvolvimento de novas ferramentas, ou mesmo adaptações nas existentes, é possível reduzir danos ao operário, aumentando sua eficiência e produtividade.
Assim sendo, concluo que: para a tarefa desenvolvida pelo coveiro é extremamente necessário redesenhar ferramentas, capacitar as pessoas, sistematizar a tarefa, direcionar o uso dos EPI´s (uso de máscara para a colocação de cal virgem no momento da supultura e lavagem da ossada com lixívia; uso de calçado e vestuário adequado). Possivelmente possibilitará uma melhoria na execução da atividade, causando menos danos a saúde física e mental do trabalhador, contribuindo assim para a melhoria de qualidade de vida.
Acredito que para evitar os impactos causados pelos cemitérios, as legislações deveriam ser mais rígidas e o governo deveria investir mais na fiscalização. Uma das possíveis soluções discutidas por estudiosos poderia ser a cremação (PIRES; GARCIA, 2008)8. Segundo Julio Mariath (1995), “a cremação apresenta uma grande vantagem na destruição de microorganismos patogénicos e os seus esporos, agentes das moléstias infeciosas, concorrendo poderosamente para o desaparecimento das epidemias.” 10

Referências Bibliográficas:

1 - Ramazzini, Bernardino. As Doenças dos Trabalhadores. Tradução de Raimundo Estrela. 3.ed. São Paulo: Fundacentro, 2000.
3- Trabalho de um coveiro
4 - AQUINO, J. R. F; CRUZ, M. J. M. Os Riscos ambientais do Cemitério do Campo Santo, Salvador, Bahia, Brasil. Cadernos de Geociências, 2010.
5 – SANTOS, R. M. Cemitérios: Uma ameaça a saúde humana? 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. 2007.
6 - SILVA, F. C; SUGUIO, K; PACHECO, A. Avaliação Ambiental Preliminar do Cemitério de Itaquera, segundo a Resolução do CONAMA 335/2003, Município de São Paulo. Revista UnG – Geociências.
7 - MELO, D. B. G; TUDOR. F; BERNARDINO, V.N. Relatório do Projeto Cemitérios Sustentáveis. Campinas, 2010.
8 - PIRES, A. S; GARCIA, C. M. São os Cemitérios a melhor solução para a Destinação dos Mortos?. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 - Brasília - DF – Brasil.
9 - OBERG, Kurt E. T. The lumbar spine load during digging and shoveling with a magnum twingrip handle respectively an ordinary handle. Article. Swedish University of Agricultural Sciences.

domingo, 9 de março de 2014

Saúde Ocupacional em todo o mundo!

Caros leitores,

Hoje vou abordar um pouco a Higiene e Segurança no trabalho internacionalmente. Como sabem, a realidade desta temática difere de país para país, sendo os menos desenvolvidos mais prejudicados. No nosso país existe uma evolução ao longo dos anos quanto às condições de trabalho, a qualidade destas é um dos fatores fundamentais para o sucesso de um sistema produtivo.
      O ano passado ocorreu um daquele que é considerado o pior acidente industrial no Bangladesh, provocando a morte a 1229 trabalhadores numa fábrica de têxteis. Estima-se que a má construção, não respeitando as normas de segurança; as vibrações das máquinas e os gigantescos geradores do edifício tenham contribuído para o seu desmoronamento. 1
Fig.1 - Desmoronamento de uma fábrica de têxteis no Bangladesh. 2
  É "chocante" nos dias de hoje ainda existirem tragédias desta dimensão, só num acidente morreram mais de 1000 pessoas a trabalhar. Penso que seja oportuno refletirmos um pouco sobre este assunto. Não só aconteceu, como está sempre a acontecer dia após dia. No nosso país, felizmente esta realidade é um pouco diferente quando comparada com países menos desenvolvidos, apesar de ainda acontecerem muitos acidentes de trabalho com consequências bastantes graves, muitos deles mortais.
O serviço de saúde e segurança no trabalho no Bangladesh ainda está em fase de desenvolvimento. Neste, a saúde e segurança no trabalho refere principalmente às necessidades dos trabalhadores de indústrias ou alguns processos de fabricação, mas não cobre completamente todas as ocupações do país.

   No Bangladesh, como na maioria dos países, a oeste, a responsabilidade pela saúde e segurança no trabalho é colocada sobre o empregador, embora o governo tenha algum tipo de serviços de saúde ocupacional e normas de segurança. Os serviços de saúde ocupacional são fornecidos como benefícios por parte dos empregadores e, geralmente, são separados de outros serviços de saúde da comunidade. Nos países em desenvolvimento, muitos deles estão a passar por uma rápida industrialização, a importância da saúde ocupacional é cada vez mais tida em conta. É preocupante que no Bangladesh, como noutros países em desenvolvimento, a desnutrição pré-existente e a alta incidência de doenças infeciosas, no entanto, muitas vezes agravam os problemas de exposição a riscos ocupacionais.

Fig. 2 - O complexo industrial desabou matando mais de 100. 2


As leis relacionadas com o trabalho no Bangladesh foram enquadradas obrigando os empregadores a tomar medidas corretivas de segurança e saúde ocupacional. A falta de consciencialização, preparação, não conformidades das normas de SST por parte dos empregadores, o envolvimento negativo dos trabalhadores não poderia alcançar o objetivo de oferecer segurança e saúde aos trabalhadores como era previsto pelas leis.
    No Bangladesh, como noutros países em desenvolvimento as principais considerações das indústrias são: maior produção e maior retorno económico. Centrando a economia em benefício do empregador, dando pouca importância aos custos sociais em termos de impactos sobre os trabalhadores, sociedade e meio ambiente.3

       Mudando um pouco de paradigma, vou relatar alguns aspetos daquilo que se passa na América Latina, que se assemelha ao Bangladesh. Os estudos indicam a existência de uma variedade de fatores e agentes perigosos que causam altas taxas de acidentes e doenças profissionais ocupacional. Além disso, a elevada percentagem de trabalhadores no setor informal sem qualquer apoio social, condições inadequadas de saúde básicos, a existência de trabalho infantil, o uso de tecnologias de produção ultrapassadas e mudanças de políticas e economias frequentes na América Latina, são alguns dos fatores que tornam a situação do problema de saúde ocupacional na Região. Na América Latina, são poucos aqueles que adquirem um ambiente de trabalho saudável, a maioria dos trabalhadores continuam expostos a riscos ocupacionais.4
        Deixo-vos um gráfico que demonstra o trabalho dos jovens na América Latina, nomeadamente em 4 países: Argentina, Brasil, México e Perú.


Gráfico 1 - Colaboradores por tamanho da empresa e por a idade, 2011. 5

        Como é relatado no gráfico 1, a Argentina, México, Peru e , em menor escala no Brasil, a maioria dos jovens trabalhadores com idades entre 15 a 19 e de 20 a 24 anos trabalham em empresas com 2 a 5 trabalhadores. No entanto, observa-se também que quanto mais velhos e com mais experiência, ou com mais educação têm melhores condições para encontrar num emprego melhor ou para satisfazer um desejo de trabalhar por conta própria, a participação dos jovens em empresas menores diminui.
      O emprego precário tem grande impacto no trabalho precoce, tendo também um grande influência sobre a carreira e futuro dos colaboradores. O fato de quase 40% dos jovens empregados em empresas pequenas é preocupante, pois essas empresas estão frequentemente associadas a setores de baixa produtividade, empregos precários, baixos salários e sem acesso a proteção social.5

   Falando um pouco na Malásia, a higiene e segurança do trabalho tem melhorado ao longo tempo. O governo estabeleceu um Instituto Nacional de Segurança Ocupacional e Saúde para promover a educação, a pesquisa e o desenvolvimento neste domínio, apoiando assim o trabalho no Departamento de Trabalho, Segurança e Saúde do Ministério dos Recursos Humanos. Além disso, organizações não-governamentais, como a Sociedade para a Segurança e Saúde também desempenham um papel importante no aumento da consciencialização dos trabalhadores. Embora haja um suporte eficaz ao nível do mercado de trabalho, existem preocupações com a maioria dos trabalhadores imigrantes, muitos deles ilegais, agravando assim a segurança e a saúde ocupacional, pois muitos deles são empregados por empreiteiros.
    Portanto torna-se fundamental que haja uma maior promoção da segurança e saúde, através de programas de educação para os empregadores e trabalhadores, aumentando a formação e enriquecendo conhecimentos entre eles. O desafio é elevar os padrões de segurança e saúde ocupacional, com base no princípio de que a "prevenção é melhor do que a cura".6
Os novos problemas de saúde ocupacional dos países industrializados tendem a estar associados à implementação de novas tecnologias, novas substâncias, fatores psicossociais e às necessidades especiais de envelhecimento da população e grupos vulneráveis. Os problemas dos países recém-industrializados derivam os acidentes de trabalho mais tradicionais e doenças ocupacionais. Nos países em desenvolvimento os problemas de trabalho físico intenso, pesticidas e stress térmico, bem como vários vegetais e outras poeiras orgânicas e biológicas têm bastante importância.
Fig. 3 - Utilização de agrotóxicos por trabalhadores rurais.
As necessidades de saúde ocupacional emergentes dos países em desenvolvimento referem-se principalmente à agricultura e a outros setores da produção primária. A transferência de tecnologias e substâncias perigosas dos países industrializados é um problema que os países em desenvolvimento não podem resolver por si mesmos. A eliminação e o controle de tais riscos graves de saúde e segurança no trabalho eficaz é dificultada por objetivos de alto valor económico, pouca legislação e fiscalização, inexistente ou infra-estruturas fracas para monitorização e serviços, bem como a escassez de mão-de-obra universal e serviços de saúde ocupacional. 6
Os regulamentos e normas que estipulam o nível mínimo de segurança e saúde no trabalho são ferramentas importantes para a melhoria das condições de trabalho, uma vez que se aplicam a todos os locais de trabalho e a todos os trabalhadores. De acordo com os princípios da OMS (Organização Mundial de Saúde) e OIT (Organização Internacional do Trabalho), cada indivíduo, saudável, com problemas físicos ou doentes crónicos, deve ser dada a oportunidade de participar ativamente no trabalho sem riscos para obter danos à sua saúde e capacidade de trabalho. Essas pessoas devem ser efetivamente protegidas contra a discriminação no trabalho por prestação de medidas de proteção legais e outras apropriadas.

Até à próxima publicação!



Referências Bibliográficas:

domingo, 2 de março de 2014

Lookcloser para a Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho

Caros leitores,

        Devido ao facto de encontrar-me a estagiar numa empresa de Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho (HSST) achei pertinente dar a conhecer um pouco esta área em vasta expansão e extremamente importante em matéria de Saúde Ambiental.


Fig.1 - Esquema de SHST (Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho)  1
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria da população mundial (58%) gastam um terço da vida adulta no trabalho contribuindo ativamente para o desenvolvimento e o bem-estar de si mesmos, das suas famílias e da sociedade. Podendo ter um efeito adverso ou positivo no trabalho sobre a saúde do trabalhador. As circunstâncias de trabalho mais favoráveis ​​fornecem saídas para atender às necessidades da vida, tendo também um impacto positivo na saúde social, psicológica, física e bem-estar. Ao mesmo tempo, um elevado nível de saúde e segurança no trabalho contribui para o aumento da produtividade, objetivos e materiais, fornecendo qualidade e desempenho na vida de trabalho. Apesar disto, as condições e ambiente de trabalho para muitas operações ainda podem envolver um perigo distinto e até mesmo graves para a saúde, podendo reduzir o bem-estar, a capacidade de trabalho e tempo de vida dos trabalhadores. 2
Outro bom exemplo é a Carta de Ottawa, redigida em 1986.3 Até meados do século 20, as condições de trabalho nunca foram levadas em conta, sendo sim importante a produtividade, mesmo que tal implicasse riscos de doença ou mesmo à morte dos trabalhadores. Para tal contribuíam dois fatores, uma mentalidade em que o valor da vida humana era pouco mais que desprezível e uma total ausência por parte dos Estados de leis que protegessem o trabalhador. Apenas a partir da década de 50/60, surgem as primeiras tentativas sérias de integrar os trabalhadores em acividades devidamente adequadas às suas capacidades.
Atualmente em Portugal existe legislação que permite uma proteção eficaz de quem integra atividades industriais, ou outras, devendo a sua aplicação ser entendida como o melhor meio de beneficiar simultaneamente as empresas e os Trabalhadores na salvaguarda dos aspetos relacionados com as condições ambientais e de segurança de cada posto de trabalho. 4
Fig. 2 - Participação dos trabalhadores em formações.5
A Estratégia Global da OMS para a Saúde para todos no ano 2000, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outras, defendem que cada cidadão do mundo tem o direito a um trabalho saudável e seguro, num ambiente de trabalho que cada um tenha a oportunidade de viver numa vida social e economicamente produtiva. Praticamente todos os países ainda estão longe deste objetivo, evidenciado pelo elevado número de acidentes e doenças ocupacionais.2,6 Assim, de acordo com as novas estratégias das organizações das Nações Unidas, em particular a OMS e as estratégias adotadas em muitos Estados-Membros, e tendo em vista as limitações de recursos financeiros e humanos, uma estratégia global para a saúde no trabalho para todos deve ser executada, tanto quanto possível, em colaboração com outros organismos, programas e organizações interessadas em lidar com as questões de saúde dos trabalhadores. Apesar das grandes diferenças nos níveis de segurança e saúde no trabalho e do tipo e da ocorrência de problemas de saúde ocupacional, também é necessária uma estratégia nacional de cada país.7

A Segurança e Higiene no Trabalho é um imperativo ético no mundo empresarial para além de uma obrigação legal da entidade empregadora. 
Visando a prevenção dos riscos profissionais e a promoção da saúde dos trabalhadores, todas as entidades devem organizar as atividades de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, no entanto, a Higiene e Segurança no Trabalho deve ser encarada como um investimento e não como um custo e, tem como objetivo promover um programa de prevenção de riscos profissionais, contribuindo para a redução das taxas de absentismo e sinistralidade, aumentando os índices de motivação dos colaboradores e consequente aumento de produtividade.
A higiene e a segurança são duas atividades que estão intimamente relacionadas com o objetivo de garantir condições de trabalho capazes de manter um nível de saúde dos colaboradores e trabalhadores de uma empresa.
A higiene do trabalho propõe-se combater, dum ponto de vista não médico, as doenças profissionais, identificando os fatores que podem afetar o ambiente do trabalho e o trabalhador, visando eliminar ou reduzir os riscos profissionais (condições inseguras de trabalho que podem afetar a saúde, segurança e bem estar do trabalhador). A segurança do trabalho propõe-se combater, também num ponto de vista não médico, os acidentes de trabalho, quer eliminando as condições inseguras do ambiente, quer educando os trabalhadores a utilizarem medidas preventivas.

Para uma melhor compreensão sobre esta temática, pretendo publicar ao longo do meu blog vários filmes do Napo. E o que é isso? O Napo é uma ideia original de um pequeno grupo de profissionais de comunicação no domínio da saúde e segurança no trabalho que responde à necessidade de produtos de informação de alta qualidade, que rasguem as fronteiras nacionais e vão ao encontro das diferentes culturas, línguas e necessidades práticas das pessoas no local de trabalho. O papel do Napo e dos seus amigos consiste em alertar para a saúde e segurança no trabalho, através das suas personagens simpáticas, de histórias engraçadas e de uma abordagem humorística e ligeira. “Segurança com um sorriso” é o contributo do Napo para locais de trabalho melhores, mais seguros e mais saudáveis. Cada filme é co-produzido por diversas instituições europeias. A Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Espanha, financiou o desenvolvimento do sítio Web.8

Durante o meu período de estágio vou participar em diversas atividades realizadas na empresa, algumas em serviço externo (vistorias) e outras em trabalho "back office". A CentralMed engloba todas as vertentes da Higiene e Segurança no Trabalho contendo competências e uma capacidade que lhe permite oferecer aos seus clientes um amplo conjunto de serviços, nomeadamente:
  • Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos;
  • Auditorias internas no âmbito da Higiene e Segurança no Trabalho;
  • Plano de Prevenção de Riscos Profissionais;
  • Participar na elaboração do plano de emergência interno;
  • Elaboração de Ficha de Identificação de Perigo, por Posto de Trabalho;
  • Elaboração do Plano de Controlo de Riscos, com medidas corretivas e preventivas para as situações avaliadas e de acordo com a legislação em vigor;
  • Supervisionar o aprovisionamento, a validade e a conservação dos equipamentos de proteção individual, bem como a instalação e a manutenção da sinalização de segurança;
  • Informação/formação sobre Segurança e Higiene no Trabalho (SHT);
  • Apoio na elaboração da Consulta SHT aos trabalhadores;
  • Organizar os elementos necessários às notificações obrigatórias;
  • Informação na fase de conceção de instalações, processos e postos de trabalho ou alterações aos mesmos;
  • Relatório Anual das Atividades dos Serviços de SHST – Relatório Único;
  • Elaborar as participações obrigatórias em caso de acidente de trabalho ou doença profissional e o respetivo relatório;
  • Recolher e organizar elementos estatísticos relativos à segurança e à saúde no trabalho.
  • Coordenar ou acompanhar auditorias e inspeções internas.9
Referências:

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Estágio IV

Caros leitores!
Sejam Bem-vindos novamente ao “LookCloser”.

À semelhança do semestre anterior, é da nossa autoria a escolha do local de estágio. A Unidade Curricular de “Estágio IV” decorre em qualquer entidade no âmbito de diversas área de Saúde Ambiental, excepto Centros de Saúde onde decorreu o “Estágio III”. 
A minha escolha remeteu-se para uma empresa prestadora de serviços de saúde, segurança e higiene no trabalho: CENTRALMED. Esta, contribui de forma inequívoca, para a prevenção de riscos profissionais, diminuição da sinistralidade e consequente aumento da competitividade das empresas clientes.

Fig 1 - Logótipo da Empresa: CentralMed
No sentido de assegurar a excelência dos seus serviços, a CentralMed é uma Empresa Autorizada pelo despacho conjunto da Direção Geral da Saúde (DGS) e Autoridade para as Condições Gerais do Trabalho (ACT) de 27 de Agosto de 2009, para a prestação de serviços externos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, dispondo de recursos técnicos e humanos, especializados e certificados nas respetivas áreas de atuação.


De acordo com a legislação em vigor e com vista à promoção da saúde dos trabalhadores, colabora com as entidades empregadoras na organização dos serviços de saúde, segurança e higiene nos locais de trabalho.


Este estágio tem duração de 3 meses, com início a 24 de Fevereiro e termina a 30 de Maio de 2014. Ao longo deste período as minhas experiências vividas vão ser registadas no “LookCloser”, de modo a constituírem um documento personalizado do percurso de aprendizagem, logicamente rico e contextualizado.

A empresa CentralMed faz parte do Grupo CentralMed, englobando também a Sinálise e Medicare, todas elas dedicadas, respetivamente, à medicina no trabalho e formação, e higiene e segurança alimentar. Este Grupo CentralMed presta serviços desde 1997 e localização no coração de Lisboa, na Avenida 5 de Outubro. Como podem verificar no mapa em baixo.

Fig 3 - Mapa da localização do Grupo CentralMed
A empresa foi também distinguida pela Revista Exame como uma das 100 melhores empresas para trabalhar, o que me fascinou bastante e me motivou a realizar um estágio nesta empresa. Podem ver o artigo em: http://www.centralmed.pt/downloads/Exame.pdf

Fig 6 - Informação adicional da Empresa
CentralMed
Fig 5 - Distribuição de colaboradores por sexo


















Espero que gostem e acompanhem esta nova etapa do meu percurso académico, que está prestes a terminar. Qualquer dúvida disponham!


Até às próximas publicações!